NOTA DA ANACRIM

Na manhã dessa quarta-feira (09/09/20), assistimos estarrecidos a um dos mais contundentes ataques à advocacia do Brasil.

De nossa parte não há surpresa, pois o cenário de violações vem se multiplicando exponencialmente, mas sim, um profundo sentimento de indignação.

As violações de prerrogativas, diuturnamente impostas aos pequenos escritórios, e à advocacia mais modesta, hoje, especialmente, atingiu em cheio os grandes escritórios e lideranças da nossa classe.

Historicamente tem imperado, no seio da advocacia, sobretudo a criminal, a lógica do “Intertexto” de Bertolt Brecht, subsistindo a vaidade e o solipsismo, como combustíveis para a necrose reputacional da nossa profissão.

No dia de hoje, uma parcela da magistratura, aliada a uma parte do Ministério Público Federal, impuseram à advocacia um capítulo triste e vexatório na sua história, muito mais por autoritarismo, abuso de poder e passividade da própria advocacia, do que por elementos de convicção, que eventualmente pudessem existir nas palavras de um delator, reconhecidamente um criminoso confesso e desmoralizado.

A Associação Nacional da Advocacia Criminal – ANACRIM repudia a forma autoritária e açodada com a qual se revestiu a decisão do juiz Marcelo Bretas, solidarizando-se com todos os advogados e escritórios violentamente afrontados nesta data, bem como empresta incondicional apoio ao nosso presidente Felipe Santa Cruz.

Não obstante, reitera a urgente necessidade de união e mobilização da nossa classe, o que perpassa pela proativa e consciente adesão das grandes bancas, para reequilibrar um jogo processual no qual a advocacia está sendo visível e injustamente marginalizada.

Rio de Janeiro, 09 de setembro de 2020.

James Walker Júnior
ANACRIM
Presidente